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A Três Mãos

A três mãos se escreve, a dois olhos se lê, a um o pensamento que perdura

O mutismo da despedida

Aqui não vos deixo um conto mas palavras que relatam um período da minha vida. Encontrei-as hoje, por mero acaso, ao importar os conteúdos de um blogue que tinha no Livejournal para o meu Sapo

Publicação escrita em 16 de novembro de 2011, atormentado pela neve que de Cinfães não me deixava sair, para assim passar o fim de semana com os meus familiares e melhor me inteirar do então "desconhecido". Republiquei-o, em 25 de junho deste ano, quando o meu pai foi internado para efetuar o autotransplante à medula óssea, sem saber, embora o receasse, que início se dava a um diferente mutismo da despedida.

 Verifique se consegue identificar, caso existam, valores natalícios, no seguinte desabafo, escrito em diferente época do ano.

 

 

 

Não raramente, pensei que as despedidas pudessem acontecer dentro desta dimensão planetária. Considerava impreterível a inércia de um corpo e a viagem de uma alma entre mundos opostos, dissipados nas verborreias de uma ou outra crença capaz de em nós soltar o abraço da ténue confiança, tão relevante para a cobardia. Afinal, existem despedidas sem adeus. Despedidas encerradas num mutismo elevado ao sentido da dor. Destino ou consequência fisiológica, assim foi a sua.Neste outono, num dia trivial, solarengo e chuvoso como tantos outros, fez-se silêncio nas percepções do mundo real. Sem aparentar qualquer sofrimento, com o suporte do chão rochoso, eis que aquele ladrar da cadela serra da estrela sinalizou a sua localização. Caída estava, não naquele lugar, não naquele momento… Ao estender a mão ao genro, para a ajudar a levantar-se, a primeira referência: queria uma mão para com ela atravessar o rio que à sua frente corria . Um rio da sua infância, da sua terra natal. Desde então, sucessivas e constantes abordagens ao passado.O regresso não mais se fará.
Quando a reencontrar, reconhecer-me-à?… 

 

Dedicado à minha avó, que agora sei, doente de Alzheimer

 

 

Rogai por nós por Paulo Vasco Pereira

 

 

A Três Mãos, abram-se alas!

Olá!

Finalmente, cessaram as obras no A Três Mãos.

 

Em obras

Este é um espaço que pretende ir além da escrita e não se desmoronar na fragilidade dos alicerces de parte da blogosfera em Portugal. Pelo menos, neste sentido procuramos caminhar. Mas, por que razão "A Três Mãos"? Inquestionável é o trabalho que se consegue a uma só, num blogue. A Três Mãos rompem-se barreiras, soltam-se gritos inauditos, despertam-se emoções, alimentam-se almas e rompe-se o impiedoso séquito que sitia o "normal". 

A par das nossas mãos, três gerações distintas, em diferentes momentos da vida, com diferentes percursos profissionais, paixões similares e algumas discordâncias. Somos, a B.B., o José da Xã e o Paulo Vasco.

 

Sejam bem-vindos!