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A Três Mãos

A três mãos se escreve, a dois olhos se lê, a um o pensamento que perdura

Desafio "Slave to Love"

Aos nossos estimados leitores e seguidores vamos propor um desafio.

 

Este consiste na escrita de um texto, que considerem adequado para ter como banda sonora, Slave to Love, de Bryan Ferry. O assunto/tema é "escrava(o) do amor" ou "escrava(o) para amar". O artigo elaborado deve ser enviado para pelo menos um dos endereços eletrónicos dos autores do A Três Mãos, que no blogue publicarão os melhores textos.

 

Sejam criativos e sem preconceitos.

 

 

 

 

 

Delícias da Noite

Divulgar boa poesia, desta feita ousada e bem escrita é uma das etapas do inovador, A Três Mãos.

Ronaldo Sérgio, brasileiro, escreveu, no dia 21 deste mês, Delícias da Noite, no seu blogue Rancho das Crônicas. A visitar. 

 

 

Foto de Nicola de Luigi em http://nichotina.tumblr.com/

 Fotografia de Nicola de Luigi

 

 

Meu prazer é descascar seus desejos,
na sua frente, todos os dias,
sem pudor,
vivendo o horror do gozo.
Conhecer-te por dentro,
caminhando pelo seu corpo,
até o argasmo abrir-te toda,
e sentir minhas partes desaparecerem
entre a maciez e a doçura
de sua carne e de seus beijos.

 

 

Perder-se no toque
das mãos que caminham
sem saber por onde vão
quando vão exatamente
para onde têm que ir.
Sentir a sua pubis
excitando-te
fazendo-a pular sobre mim
fazendo-me jogar-te
de volta na cama
e ferir-te com minha bimba.

 

 

Adoro preencher seus vácuos
percorrer seus trechos devagar,
com os lábios, a língua, as mãos.
Alcançar sua delícia e fazer
e fazer meu falo tocar a pele dela
da sua márcida e fechada vulva,
entrando e quase saindo
e de novo e de novo,
tocando e suspirando
deixa-te derramar-se de prazer
molhada e com os olhos cheios d’água.

 

 

E neste deleite
esquivar-se de tudo
das coisas
de nós mesmos
deixando o orgasmo escorrer
escorrer pelo mundo todo.

Luto de mulher

Uma história real.

Uma das páginas do livro da minha vida, como professor e diretor de turma, sem referências específicas e concretas, por forma a proteger a identidade dos ainda, menores.

 

Choro-te de Paulo Vasco

 "Choro-te" de Paulo Vasco Pereira

 

Uma vida, um amor e uma história cessaram. Desconheço o futuro do casal que apenas separado foi na urna e nos túmulos. No seu futuro, a pretensão de uma união eterna, formalizada nos papéis e rituais da igreja que terminam numa festa, que dizem inesquecível: o casamento. Este, não passou de um sonho, à semelhança de tantos outros: impossível e trágico. 

 

A vida, essa mão de incógnitas que nos mantém erguidos por caminhos cujos objectivos finais desconhecemos, presenteia-nos com alegrias e tristezas, quantas vezes num ápice, nos momentos mais inesperados e inauditos. Eles, na “flor da idade”, foram presenteados com a morte trágica, nua, cruel…Os seus órgãos esmagados, em pedaços, naquele acidente, naquele dia longo, aparentemente calmo, suave e doce, até ao momento da fusão das almas. No outro plano, numa outra dimensão, a real, o sofrimento e a eterna saudade. Projectos, idílios e o forte pronúncio daquele grito que se fez ouvir, no momento de dar a saber um final inesperado, num mar de sonhos que dizima quem ama e gerou. Agora, nos momentos de dor, estes em vão e sem forças procuram resistir. Dificilmente compreendem que apenas o tempo pode diminuir a saudade e a dor; se possível for.

 

Já eu, às palavras disse “Não”.

Em risco, agi de acordo com a minha consciência. E não me arrependo, graças a Deus!

 

 Paulo Vasco Pereira, Cinfães, 12/06/2010

O mutismo da despedida

Aqui não vos deixo um conto mas palavras que relatam um período da minha vida. Encontrei-as hoje, por mero acaso, ao importar os conteúdos de um blogue que tinha no Livejournal para o meu Sapo

Publicação escrita em 16 de novembro de 2011, atormentado pela neve que de Cinfães não me deixava sair, para assim passar o fim de semana com os meus familiares e melhor me inteirar do então "desconhecido". Republiquei-o, em 25 de junho deste ano, quando o meu pai foi internado para efetuar o autotransplante à medula óssea, sem saber, embora o receasse, que início se dava a um diferente mutismo da despedida.

 Verifique se consegue identificar, caso existam, valores natalícios, no seguinte desabafo, escrito em diferente época do ano.

 

 

 

Não raramente, pensei que as despedidas pudessem acontecer dentro desta dimensão planetária. Considerava impreterível a inércia de um corpo e a viagem de uma alma entre mundos opostos, dissipados nas verborreias de uma ou outra crença capaz de em nós soltar o abraço da ténue confiança, tão relevante para a cobardia. Afinal, existem despedidas sem adeus. Despedidas encerradas num mutismo elevado ao sentido da dor. Destino ou consequência fisiológica, assim foi a sua.Neste outono, num dia trivial, solarengo e chuvoso como tantos outros, fez-se silêncio nas percepções do mundo real. Sem aparentar qualquer sofrimento, com o suporte do chão rochoso, eis que aquele ladrar da cadela serra da estrela sinalizou a sua localização. Caída estava, não naquele lugar, não naquele momento… Ao estender a mão ao genro, para a ajudar a levantar-se, a primeira referência: queria uma mão para com ela atravessar o rio que à sua frente corria . Um rio da sua infância, da sua terra natal. Desde então, sucessivas e constantes abordagens ao passado.O regresso não mais se fará.
Quando a reencontrar, reconhecer-me-à?… 

 

Dedicado à minha avó, que agora sei, doente de Alzheimer

 

 

Rogai por nós por Paulo Vasco Pereira