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A Três Mãos

A três mãos se escreve, a dois olhos se lê, a um o pensamento que perdura

Vivências fictícias - conclusão

 

Uma das três mãos esteve dormente. Acredito que até o meu cérebro esteve dormente, com tantas preocupações que foram prioritárias, nos últimos tempos... Mas volto a este espaço acolhedor, tão bem mantido pelo Paulo, pelo José, por música, pelas peripécias do Arlindo e da Lídia e, claro, por vocês aí desse lado. Olá, novamente.

 

Depois das duas partes (aqui e aqui) do "Vivências fictícias", concluo agora as minhas aventuras imaginárias com a Cris, a Tânia e o Paulo. Mas antes vamos dar os parabéns à Tânia, que festeja hoje os seus jovens 36 anos!

 

 

Vivências fictícias III

 

Subíamos a escadaria – ou o que sobrava dela – com passos rápidos, na tentativa de chegar ao cimo antes de a noite cair sobre o Castelo de Hibrato. Tropecei num degrau e caí de joelhos, pelo que Paulo acendeu a lanterna.
Após pisarmos diversas pedras vestidas de musgo, chegámos finalmente ao topo.

 

castelo crepúsculo.jpg

 Fotografia de Cyril Helnwein


O nosso mais marcado receio era ouvir os famosos ruídos. Porém, só conseguíamos escutar os carros a passarem lá em baixo, junto à ponte.
- Vá, vamos lá entrar e despachar isto. – Tânia caminhou na direção do portão e nós espelhámos o seu movimento. Parámos logo de seguida, quando soou um ruído estridente.
Pequenas percussões, rápidas e repetidas, simultâneas a uma forte e súbita rajada de vento. Entreolhámo-nos e concordámos em silêncio: tentei empurrar o portão, que cedeu com alguma dificuldade. Com esforço, finalmente consegui arrastar o pesado pórtico e os nossos cabelos despentearam-se, enquanto os “ti ti ti” metálicos voltaram a ganhar intensidade.
O foco de luz da lanterna foi apontado para o interior da estrutura de pedra e seguíamos, com o olhar, as zonas serenamente iluminadas pelo Paulo. Primeiro, observámos a zona à esquerda. Vislumbrámos um arco, que unia duas colunas outrora majestosas. Ao centro, pudemos ver um lance das escadas para o piso superior. À direita… Brilho.
- Paulo, espera! O que é aquilo? – O desinteresse de Cris transfigurou-se numa inesperada curiosidade. Tânia também se aproximou e ficámos todos, armados em parvinhos, a olhar para aquilo. - Oh, não acredito. Os meus pais têm uma treta dessas no quintal! 

FIM

  

 

Julgamos que somos detentores da razão, mas os nossos pensamentos são, na verdade, incrivelmente limitados. Temos em conta apenas o que é visível, o que é audível, o que é compreensível atendendo ao nosso histórico de experiências. A simplicidade pode tornar-se complexa, se for inesperada. Um simples espanta-pássaros pode produzir medonhos ruídos que, noutro contexto, seriam banais.

Pensamos com palas.

 

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