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A Três Mãos

A três mãos se escreve, a dois olhos se lê, a um o pensamento que perdura

A Três Mãos

A três mãos se escreve, a dois olhos se lê, a um o pensamento que perdura

23 Mar, 2015

Na aldeia

... Retalho anterior   O relógio digital do carro marcava meio-dia, talvez daí a razão da fome que sentia. Como faltavam poucos quilómetros para chegar à aldeia achou melhor parar para comer pois, certamente, ninguém da família contaria com ele para almoçar. Desde que saíra da estação de serviço que o seu pensamento voava por entre as horas passadas com Lídia. A última mensagem, da (...)
... Retalho anterior     A viatura seguia a grande velocidade na auto-estrada. Era ainda noite mas no horizonte podia-se já perceber a penumbra de um novo dia. Arlindo recebera a chamada que não queria: o pai havia falecido nessa mesma noite, vítima de um ataque fulminante. A pressa não tinha a ver com o pai, a quem já não podia valer, mas sim com a mãe, agora mais só, mesmo que estivessem lá as irmãs (...)
16 Mar, 2015

A tal?

... Retalho anterior   Acordou sobressaltada com um insistente toque na campainha da porta. Olhou as horas no relógio luminoso e viu: 2 e 20. Estremunhada levantou-se, vestiu o roupão e encaminhou-se a cambalear para a porta. Espreitou pela pequena vigia e viu… Arlindo! Rodou a chave e preparava-se para dar um raspanete ao amigo quando abrisse a porta quando percebeu que o amigo tinha mais para lhe (...)
28 Fev, 2015

Ao telefone

... Retalho anterior   Arlindo sabia que a precipitada demissão da Directora-Geral da empresa estava umbicalmente ligada à sua entrada. Muitas vezes lhe ligou e mandou mensagens para poderem falar, antes da sua admissão, mas Lídia emudecera após o último encontro no seu gabinete. O jovem segurança optara por trabalhar somente de noite para poder estudar de dia. Um sonho alimentado desde jovem… E (...)
07 Fev, 2015

Viver a vida!

... Retalho anterior   Detestava que marcassem reuniões quase em cima da hora. Geralmente tinha o seu trabalho todo planeado e uma reunião vinda do meio do nada… aborrecia-a olimpicamente. Quando olhou o seu relógio de pulso percebeu que estava quase na hora e saiu do gabinete em passo apressado. Mas antes: - Amélia vou para a reunião com a Administração. Anote os recados se fizer favor. (...)
... Retalho anterior   O telefone à sua frente tocou. Ergueu o olhar para ver quem era e leu o nome de Amélia. Premiu o botão de voz alta e respondeu: - Diga Amélia. - Doutora… tem aqui… uma visita… - Uma visita? Quem é? - A pessoa pede para não dizer quem é… Só quer falar consigo… - É trabalho? A porta abriu-se de supetão e Arlindo irrompeu pelo gabinete. - Não, não é trabalho… Lídia ergueu-se furiosa da sua cadeira, passou pelo homem e dirigiu-se à secretária:
27 Jan, 2015

Chamada anónima

... Retalho anterior   A pergunta feita assim de chofre parecia trazer outra intenção. Lídia olhou o projector no tecto como fosse ali encontrar a resposta, fez um trejeito com a face e respondeu: - Já aprendi que não posso dizer nunca! Neste mundo tudo é possível, desde que queiramos. - Ui Lídia, isso dava pano para mangas. Ficávamos aqui a falar até às tantas… Será melhor não entrarmos por aí. (...)
24 Jan, 2015

Reencontro

... Retalho anterior   Espreguiçou-se como não fazia havia muito tempo. Embrulhou-se num roupão que trouxera de Viena e abriu a janela do quarto. O dia estava luminoso mas frio, muito frio. Saiu do quarto, dirigiu-se à cozinha e ligou a cafeteira eléctrica. Olhou as horas no relógio do microondas e exclamou: - Ena, já passa do meio-dia… Veio-lhe então à ideia a mãe… Alcoólica, era por aquela hora (...)
19 Jan, 2015

Arlindo

... Retalho anterior   Foi numa manhã gelada e enevoada de Janeiro que Arlindo nasceu, numa aldeia embutida na encosta da serra fria e pedregosa. Fora o quinto filho e a alegria da sua chegada fora saudada como do nascimento da primeira criança. - É um rapagão. Perfeitinho! – concluiu a parteira velha e balofa, que fizera vir ao mundo mais de metade da aldeia. A mãe não sabia se havia de rir ou (...)
11 Jan, 2015

O dia seguinte

... Retalho anterior   Quando acordou sentiu-se diferente. Havia muito tempo que não dormia assim. Em paz. E tudo por causa da noite e madrugada passada com ele, num local diametralmente oposto ao que seria de supor para a época do ano. O convite que lhe fora endereçado, à laia de desafio, tivera o condão de a acordar para outra realidade. E em boa hora o aceitou pois jamais nos seus trinta e (...)